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Lanterna Mágica
"Máquina
que mostra, na escuridão, sobre uma parede branca, vários
espectros e monstros horrorosos, de tal maneira que as pessoas
que não lhe conheçam o segredo julgam que isto se
faz por artes mágicas."
Esta definição, encontrada num dicionário
de 1719, ilustra bem o emprego que um outro apresentador de sombras,
Robertson, iria fazer da lanterna mágica. Depois de se
celebrizar com as suas ascensões a bordo de um balão
cheio de gás, Robertson "apavorou" Paris, realizando
nas ruínas de um convento o que ele chamava de "Fantasmagorias".
Estranhos espetáculos, sem dúvida: com a sua lanterna
e um aparelho dos mais engenhosos, Robertson fazia aparecer espectros
e fantasmas. Estas macabras fantasias estavam ainda longe do nosso
cinema, mas, com elas, impunha-se já a idéia de
um espetáculo tendo por base a projeção.
Estes engenhosos instrumentos da ilusão pertencem agora
à arqueologia do cinema. A
origem da lanterna mágica é provavelmente muito
antiga, mas foi apenas no século 17 que o padre jesuíta
alemão Athanasius Kircher a descreveu de forma precisa.
Professor de Filosofia e Matemática, unia sagacidade e
aguçado gênio inventivo a um grande saber. Entre
1634 e 1673, publicou diversos trabalhos relativos ao ímã,
à luz e à acústica. No século 18,
o abade Jean-Antonie Nollet, físico francês, que
se dedicou aos problemas de física e ao estudo dos fenômenos
eletroacústicos, foi o primeiro a inventariar a lanterna
mágica do padre Kircher.
O princípio desta lanterna consiste em fazer aparecer,
em tamanho ampliado, sobre uma parede branca ou tela estendida
num lugar escuro, figuras pintadas em tamanho pequeno, em pedaços
de vidro fino, com cores bem transparentes. IP92 - Placa de vidro
pintada para lanterna mágica, com movimento.
No relato de uma viagem que fizera à Holanda em 1736, o
abade Nollet conta que um certo Muschenbrosk lhe mostrara projeções
animadas, entre as quais moinho de vento cujas pás rodavam,
uma mulher fazendo reverências ao passar, uma máquina
articulada, um cavaleiro tirando o chapéu. Em 1743, ele
fala de um novo instrumento de ótica, conhecido sobre o
nome de microscópio solar, feito em Londres, pouco tempo
antes, por um certo Lieberkuyn, da Academia Real de Ciências
de Berlim. Este microscópio não era mais do que
uma lanterna mágica cujos raios solares produziam a fonte
de luz.
O instrumento ampliava consideravelmente objetos ou insetos, grãos
de poeira ou outros corpúsculos transparentes em uma tela,
em vez de decorações pintadas num chassis de vidro.Trata-se
aí de uma adaptação científica do
princípio da lanterna de Kircher, que tem uma origem ainda
mais longínqua.
O "Journal d'un bourgeois de Paris sous François 1er.
" nos fala, já em l5l5, de um espetáculo de
projeção; enquanto que no século 13, o monge
britânico Roger Bacon, apelidado de "o doutor admirável"
( ele foi um dos maiores sábios da Idade Média),
descreveu o princípio elementar da lanterna mágica.
De onde ele obtivera estas informações?
Segundo o autor Frédéric Dillaye, Apollonius de
Tyane teria usado a lanterna mágica nas atuações
de taumaturgo que ele organizava no primeiro século de
nossa era. No decorrer dos séculos, a lanterna mágica,
que conheceu outros sucessos, foi para certos reis, principalmente
para Luís XIV, o instrumento de um espetáculo de
bom gosto. No dia seguinte da Revolução, projeções
luminosas, caídas alguns anos no esquecimento, suscitaram
nova admiração, quando em 1799 o sábio físico
e aeronauta Robertson, renovou os surpreendentes efeitos com um
aparelho denominado "fantasmacópio" tirando patente
deste.
O fantasmacópio nada mais era do que uma lanterna mágica
montada sobre quatro rodas, permitindo afastar ou aproximar da
tela, a fim de ampliar ou diminuir, à vontade, as figuras
projetadas.
Este aparelho trazia o movimento em profundidade que ninguém
havia imaginado.Pensava-se até então que a arte
das projeções se limitava a passar as imagens num
movimento lateral, uma vez regulada a distância do objetivo
com relação à tela de fundo. Com um "fantasmacópio",
Robertson surpreendia os espectadores fazendo surgir sobre eles,
personagens medonhos inspirando-lhes terror.
Graças ao seu engenhoso sistema, Robertson realizou espetáculos
aos quais deu o nome de "fantasmagoria". Estes espetáculos,
que fizeram correr Paris inteira, aconteciam na capela do antigo
convento dos Capuchinhos da praça Vendôme, onde o
espectador só conseguia chegar após ter percorrido
um longo trajeto nos corredores do velho mosteiro, decorados com
pinturas estranhas e cobertos de tumbas e de lápides funerárias.
Como feiticeiro, dotado de um certo talento de cineasta, Robertson
fazia aparecer à vontade do espectro de Marat, os mais
famosos decapitados da Revolução Francesa e monstros
terrificantes. Ele lotou a sala durante vários anos sem
nunca revelar os segredos de sua técnica.
O "fantasmacópio" não era visível
à nenhum espectador: situava-se atrás de uma tela
oleosa ou dissimulado em um canto da sala, para projetar seus
fantasmas sobre nuvens de vapor provenientes de um caldeirão.
De cada lado do "fantasmacópio", evoluíam
os projecionistas, uma lanterna fixada no ventre para animar as
superfícies da tela mais ou menos reduzidas, por projeções
de pássaros estranho, morcegos e esqueletos inquietantes.
Até 1830, este físico ilusionista encheu de prazer
os amadores de emoções fortes, porém seu
sucesso deu a outros a idéia de criar espetáculos.
Foi assim que nasceu a corporação dos "mostradores
de lanternas mágicas" ambulantes, pitorescos artesãos
de rua que se deslocavam com um tocador de órgão
de barbarie para acompanhar o grito de um lamento em moda: "lanterna
mági-i-i-i-ca, curiosa peça que deve ser assistida".
Bastava interpelar este homens para beneficiar-se de uma projeção
à domicílio em troca de algumas moedas.Em 1840,
um certo Auguste Lapierre, funileiro em Paris, teve a idéia
de fabricar uma lanterna mágica com formas bastante simples,
provavelmente para oferecer sessões às suas crianças.
Era uma lanterna de ferro estanhado, chamada "lanterna quadrada"
que foi comercializada (com algumas melhorias) de 1843 até
o fim do século passado. Logo no início, as vendas
foram boas. Mas após a guerra de 1870, a concorrência
se fez sentir, quando Carette (fabricante francês de brinquedos,
instalado na Alemanha) viera "espionar" o que ele fazia
em seus ateliers.
Em l875, Auguste Lapierre teve muito sofrimento com a concorrência
alemã, e cansado de lutar, passou a vez a seu filho Edouard,
que, fornecendo a lojas e bazares de brinquedos (jamais exportou)
criou então, em 1891, um modelo para os adultos, "a
lanterna de projeção", que permitia utilizar
vistas fotográficas formato 8,5 X 10 cm.
Desde 1901, René e Maurice, filhos de Edouard, dirigiram
o negócio, situado então em Seine-et-Marne, no intuito
de produzir não mais placas de vidro sobre as quais colavam
decalques, assim como faziam os concorrentes alemães Plank,
Bing e Carette.
Entretanto, necessitavam de outras idéias para manter a
posição no mercado, como por exemplo o "lucifone"
que lançaram em 1903. Este aparelho, que unia o divertimento
visual ao prazer auditivo, compunha-se de uma lanterna mágica
e de um fonógrafo de cilindro. Ele permitia fazer projeções
sonoras pontuadas de cantos e risos.
O "lucifone" todo equipado, com as imagens em vidro, com
pintura fina, comportando duas estórias, valia 39 F. Obteve,
infelizmente, apenas dois anos de sucesso. No início do nosso
século, haviam poucos fabricantes franceses de lanternas
mágicas, com exceção dos irmãos Demarie,
com os quais os irmãos Lapierre formaram em 1908 (por 99
anos) uma sociedade anônima. Nesta época, já
fabricavam projetores 35 mm que permitiam passar desenhos animados
coloridos, impressos diretamente em películas (litografia).
Tinham também cinematógrafos capazes de projetar cenas
mais longas, porém o elevado preço dos filmes os impedia
de comprá-los a menos que fossem usados, após terem
passado em salas de cinema.Em 1920, parte do negócio Lapierre
foi vendida à Sociedade Ótica e Mecânica do
grupo Schneider (Maurice Lapierre e o Sr Demaria continuaram), para
fundar, seis meses mais tarde, a sociedade chamada "Lanternas
mágicas e cinema de amador". Em 1961, René Lapierre,
então com 82 anos, ainda explorava a sociedade. IP93 Placa
de vidro pintada a mão para lanterna mágica, com movimentoVários
assuntos montados em chassis de madeira eram móveis, o contrário
das placas em geral.
As placas se classificavam segundo gêneros e combinações
bem determinadas. Havia o gênero cromátrope, ou rosácea
geométrica, que ao rodar com uma manivela permitia passar
um personagem ou um veículo face a uma decoração
fixa; o tipo de mudança em que um personagem podia ser animado
em dois movimentos. Estas vistas, pintadas à mão com
extrema fineza, eram feitas com pincel, com cores transparentes
dissolvidas em gasolina ou verniz. Os azuis da Prussia, de Anvers
ou de Berlim eram utilizados principalmente para produzir notáveis
efeitos noturnos. Os carmins de cochonilha e garança de calças
de soldados da época, produziam um belo efeito sobre as decorações
azuladas.
Bibliografia: "Magia Luminosa", de J. Remise, P. Remise
e R. Van de Walle.
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DESTAQUE
IP92
- Placa
de Vidro pintada
para Lanterna
Mágica,
com movimento
DESTAQUE
Placa
de Vidro pintada
para Lanterna
Mágica
DESTAQUE

IPI
Lanterna Mágica
Ernst Plank
c.1890
FABRICANTE :
Ernest Plank
ORÍGEM:
Alemanha
DATA:
Cerca de 1890
DIMENSÃO:
40 cm x 26 cm x 14 cm
DESCRIÇÃO:
Aparelho em metal
pintado de preto para
projeção de slides de
vidro de até 7 cm
de altura.
Porta para colocação
de lâmpada de
querosene.
Lente com ajuste
de foco e chaminé
para saída de fumaça
em metal dourado.
Acompanha 9 (nove)
slides duplo devidro,
9 cm x 28 cm,
pintados a mão
(óleo sobre vidro),
com estórias infantis,
com a marca do
fabricante,
classificadas de I.P.1.1
a I.P.1.9,
alguns no estado.
Observar a riqueza
de detalhes
das pinturas.
DESTAQUE
IP10
- Placa
de Vidro pintada
a mão para
Lanterna Mágica,
com movimento
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