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A
Evolução do Cinema
Falemos um pouco deste espantoso Thomas Edison. Nascido
a 11 de fevereiro de 1847, em Ohio, filho de uma professora, os
seus estudos foram lastimosos, a Gramática e a Matemática
o aborreciam muitíssimo. Do que ele gostava a valer era das
ciências, da Física, da Química. Para comprar
os seus primeiros manuais técnicos, deitou mãos ao
trabalho, colhendo no pomar da família produtos que apresentava,
para troca, nos livreiros do bairro. Modesto distribuidor de jornais,
improvisou-se jornalista e impressor. Aos 15 anos, completamente
só, redigia, compunha, imprimia e distribuía seu hebdomadário,
o Weekly Herald. Interessou-se pela telegrafia, pela acústica,
pelo telefone, teve a idéia da lâmpada incandescente
e inventou, ao mesmo tempo que o poeta francês Charles Cros,
o fonógrafo. Thomas Edison possuía um sentido dos
negócios apurado demais para que pudesse consagrar-se às
delícias da pesquisa gratuita. Aperfeiçoando seu kinetoscópio,
teria certamente vencido a corrida com Louis Lumière. Mas,
tal como era, sua "caixa de imagens animadas" rendia-lhe
muito dinheiro, e Edison não exigia mais do que isso. Fez
mal. Os irmãos Lumière, esses não trabalhavam
"à americana". Filhos de um industrial estabelecido
em Lion, eram comerciantes sensatos e também sábios
distintos. Conta-se que o pai deles, Antoine Lumière, viu
um dia, numa loja, um kinetoscópio. Maravilhado com a máquina
de Edison, Antoine Lumière entusiasmou os filhos a construírem
um aparelho idêntico, mas que permitisse a projeção
sobre uma tela. Foi o mais novo dos irmãos Lumière,
Louis, que se ocupou do delicado problema. Com um engenheiro da
fábrica do pai, construiu um aparelho no interior do qual
se desenrolavam películas fotográficas, com a largura
de 35 milímetros, como as que Edison utilizava e como as
que ainda hoje utilizam todos os cineastas profissionais.
Em
1894, Louis Lumière realizava já pequenos filmes,
mas a sua primeira grande obra data de 1895: La Sortie des Usines
Lumière. Só depois de ter realizado algumas dúzias
de filmes é que Louis Lumière se decidiu a proceder
à primeira projeção pública. Seria mais
exato dizermos "as primeiras". De fato, houve duas: uma,
particular, a 22 de março de 1895, que teve por únicos
espectadores alguns membros da Sociedade Fomentadora da Indústria
Nacional; outra, que teve lugar no Grand Café, Boulevard
des Capucines, em Paris, num Sábado, 28 de dezembro de 1895.Um
acontecimento bem parisiense, esta estréia no Grand Café.
Preço de entrada: 1 franco; no programa: uma dezena de documentários,
cuja duração total não excedia vinte minutos,
e um filme com argumento: L'Arroseur Arrosé, qualquer coisa
parecida com uma dessas histórias sem palavras que se encontram
nas revistas ilustradas. Este filme fez rir os espectadores do Grand
Café. Os outros filmes espantaram-nos. Um comboio! Os espectadores
viram um comboio atirar-se para cima deles! Houve senhoras que abandonaram
seus lugares, cheias de medo. Mas outras choraram lágrimas
de enternecimento, quando viram o caçula da família
Lumière besuntar o nariz com sua papinha. L'Arroseur
Arrosé, Entrée d'un train en Gare de la Ciotat, Le
Déjeuner de Bébé, ... filmezinhos insignificantes
que hoje nos fariam rir com um certo desprezo. E no entanto... o
cinematógrafo Lumière era o espelho mágico
graças ao qual todo mundo iria ver sua própria imagem,
e dar corpo aos sonhos mais absurdos.Cedo,
por todos os países do mundo, o cinema se disseminou.
Méliès,
o mágico
Em que iria tornar-se? Antoine Lumière considerava-o
uma curiosidade científica, sem qualquer futuro comercial,
e assim o disse a um dos espectadores da famosa sessão de
28 de dezembro de 1895 que lhe propôs comprar a patente do
cinematógrafo. Esse espectador chamava-se Méliès,
Georges Méliès, e estava destinado a ser o Júlio
Verne do cinema.
Era um homem muito simpático, filho de um industrial, e desde
criança sentia uma fortíssima atração
pelo maravilhoso. Aluno do Liceu Michelet, de Paris, (então
chamado Liceu do Príncipe Imperial), o pequeno Georges passava
a maior parte do tempo a "rabiscar" camaradas e professores
nas margens dos cadernos. Desenhava também palácios
das Mil e Uma Noites, cenários para peças imaginárias,
o que lhe valia numerosos castigos. Em 1885, tinha ele então
24 anos, o pai mandou-o para Londres, para aprender a língua
inglesa. Em Londres, no Egiptian Hall, havia um ilusionista, o célebre
Maskeline. Fazer brotar uma revoada de pombos de um chapéu
alto absolutamente vazio, transformar um ovo em coelho... eis o
que Georges desejava fazer também. Estava decidido, seria
mágico!
De volta à França, Méliès dedicou-se
a estudar um tipo de prestidigitação, a manipulação.
Havia nesta altura em Paris um teatro consagrado exclusivamente
à magia, ao ilusionismo, o Teatro Robert Houdin. Em 1888,
foi posto à venda. Méliès aproveitou a ocasião,
comprou-o, transformou-o, embelezou-o. Durante 36 anos conservaria
sua direção. Quando assistiu à famosa sessão
do Grand Café, Méliès era presidente da Câmara
Sindical dos Artistas Ilusionistas.
Méliès sentia gosto e vocação pela mecânica.
A maior parte de suas mágicas exigiam uma aparelhagem complicada,
da qual ele era o próprio inventor e construtor. Na impossibilidade
de comprar uma câmera aos irmãos Lumière, Méliès
decidiu fabricá-la. Depois de ter filmado algumas cenas de
rua, que hoje chamaríamos "documentários",
compreendeu que era preciso fazer mais alguma coisa. O que ele queria
era criar, produzir espetáculos.
Em Montreuil-sous-Bois, num jardim, Méliès montou
o primeiro estúdio do mundo: um barracão fácil
de iluminar e provido de todos os aperfeiçoamentos possíveis
em matéria de teatro. De teatro, sim! Méliès
colocou sua câmera diante de uma cena. As produções
da Star Film pareciam-se muito menos com os nossos filmes atuais
do que certas emissões de music-hall televisionadas. Os cenários
eram pintados sobre tela, e os atores representavam voltados para
a câmera. Era music-hall, mas o mais espantoso, era o mais
poético dos music-hall que se possa imaginar.
Como outros que, mais tarde, iriam especializar-se no gênero
policial ou sentimental, Méliès, esse, fez carreira
na fantasmagoria. Não contente por ter fabricado sua câmera,
de ter concebido o estúdio-tipo, de ter construído
por suas próprias mãos a aparelhagem que permitia
revelar, filmar e projetar os filmes da Star Film, Méliès
inventou a maior parte das trucagens.
Conta-se
esta história ... (será verdade? ... Merecia sê-lo).
Um dia, Méliès filmava na Praça da Ópera.
Filmava um trâmuei. Um incidente técnico obrigou-o
a parar a câmera durante alguns segundos. Mas assim que remediou
a avaria pôs-se de novo a filmar. No dia seguinte, na projeção,
pasmo geral! Sobre o tela, o trâmuei metamorfoseara-se em
carreta fúnebre.Méliès
aproveitou logo esta descoberta acidental. Colocava diante da objetiva
um velho, filmava alguns metros de velho, parava a filmagem; o velho
cedia lugar a um garoto vestido como uma roupa igual à do
velho; nova filmagem, e sobre o tela os espectadores assistiam,
maravilhados, a um rejuvenescimento milagroso. Graças a este
sistema, os anões cresciam, as flores transformavam-se em
mulheres, e os cães em gatos. Para maravilhar seu público,
Méliès retardou o movimento da câmera, acelerou-o.
Teve a idéia da reserva e contra-reserva, o que permite ao
operador desdobrar uma personagem sobre o tela. Para ele, o cinema
significava o meio de, finalmente, realizar as mágicas mais
surpreendentes, mágicas que teriam espantado até o
grande Robert Houdin.Méliès
adaptou ao tela o Gata Borralheira, O Barba Azul, Gulliver, Robinson
Crusoé. Imaginou histórias fantásticas: O Homem-Mosca,
O Poço Encantado, O Castelo Assombrado, O Domínio
do Diabo...Para
traduzir estas histórias em imagens, Méliès
pintava cenários, autênticas obras primas de arte ingênua;
era o seu próprio figurinista, representava, punha em cena.
Quais seus grandes êxitos? A Viagem à Lua, realizada
em 1902, que media 280 metros. Dividida em 30 quadros (hoje diríamos
seqüências) começava pela descrição
de um congresso científico, no Clube dos Astrônomos,
relatava, com abundância de detalhes picantes, a construção
do projétil - um obus de tamanho respeitável - numa
oficina monstro, o embarque dos astrônomos no dito projétil,
o carregamento do canhão, o trajeto no espaço, a chegada
à Lua, o encontro, seguido de um combate homérico,
com os Selenitas... sendo o trigésimo quadro dedicado aos
"grandes festejos públicos" e à "exibição
pública do Selenita trazido prisioneiro da Lua".Era
de uma comicidade irresistível. Era ingênuo e belo
demais para ser verdadeiro.Que
importa? Méliès, o mágico, soube demonstrar
que o cinema não era apenas fotografia animada.De
1896 a 1914, Méliès realizou várias centenas
de filmes. Depois a sua estrela empalideceu. Em 1925, esquecido,
arruinado, Méliès vendia brinquedos e bombons na galera
da Gare Montparnasse, em Paris. Méliès morreu em 1938,
no dia 21 de janeiro. O seu funeral passou despercebido.
É verdade que, neste ano, os espectadores sedentos do maravilhoso
estavam ocupados com outro assunto: Branca de Neve, realizada em
"cores naturais" por outro mágico - Walt Disney.
"Branca
de Neve", de Walt Disney.
Os primeiros espectadores de cinema foram recrutados nas feiras:
por pouquíssimo dinheiro podiam, entre uma volta no carrossel
e uma visita à mulher-serpente, assistir às projeções
das versões, mais ou menos hábeis, de L'Arroseur Arrosé,
ou das atualidades da Star Film. Na América, exibidores de
imagens animadas disputavam o primeiro terreno vago, a murros e
até mesmo a tiros. Veio a seguir a época do Nickel
Odeons. Um nickel, para os americanos da Belle Époque, era
uma moeda, a moeda que era necessário pagar para ter o direito
de entrar no Odeon.
O
Odeon, para os gregos do tempo de Homero, era o lugar onde iam ouvir-se
poetas e músicos.
Para falar com precisão, devemos informar que, no interior
do Nickel Odeons, não se ouvia nada, a não ser o
ruído surdo do aparelho de projeção, os comentários
gritados pelo empresário, e o piano desafinado, no qual
um artista ignorado imitava com suavidade os gorjeios dos passarinhos,
e com furor o roncar das tempestades. Porque o cinema era mudo.
A verdadeira arte para os cineastas era, nessa altura, dizer tudo
sem uma palavra. Muito poucos o conseguiram. Houve, no entanto,
alguns êxitos extraordinários. Nos Estados Unidos,
dois grandes nomes do cinema mudo: David Wark Griffith e Thomas
Ince.
Griffith, ou o Sulista! Herdeiro de uma família arruinada
pela Guerra da Secessão, pensou, como muitos de seus compatriotas,
fazer fortuna com a realização de filmes. Começou
por fazer mais de 300 filmes de encomenda, de curta metragem,
bastante medíocres. Depois, em 1915, realizou The Birth
of a Nation.
Três razões fizeram deste filme um grande filme.
O seu preço: mais de 100.000 dólares (com os seus
milhares de figurantes, The Birth of a Nation prenunciava as dúzias
de "filmes mais caros de todos os tempos" que iam fazer
do Estados Unidos a maior fábrica de sonhos do mundo);
o assunto: The Birth of a Nation foi o primeiro filme na verdade
inspirado (inspirado pelos seus sentimentos, pois que Griffith
era sulista e o seu filme foi um filme violentamente antinegro);
e a sua propaganda: porque The Birth of a Nation era um filme
político, a sua projeção provocou numerosos
distúrbios nos Estados Unidos.Thomas Ince, esse, colocou
a sua câmera perante a natureza, no Far-West. Ince, ou o
inventor do western! Os seus heróis? Cavaleiros de hoje,
prontos a disparar os seus colts e prontos a correr em auxílio
da viúva (do sheriff) e do órfão (arrebatado
pelos índios cruéis). Era, muitas vezes, pueril;
algumas vezes, muito belo; e, sempre, muito movimentado.
Devemos a Ince uma dos primeiros astros do cinema: W. S. Hart,
mais conhecido pelo nome de "Rio Jim". Outros astros
iriam nascer além-Atlântico, sendo os mais simpáticos
e os mais cômicos os da Companhia Mack Sennett. Como Ince,
Sennett sabia que o cinema é, essencialmente, a arte do
movimento. Sabia, também, por ter andado pelos teatrinhos
de pantominas, que nada diverte tanto quanto o encontro de um
rosto pasmada com uma torta de creme. Foi em 1912 de Mack Sennett
produziu o seu primeiro filme cômico, Cohen at Coney Island,
e que fundou também a Sociedade Keystone. Durante perto
de 20 anos, Sennett iria inventar gags, desencantar talentos,
supervisar filmes de destrambelhada comicidade; durante perto
de 20 anos, iria dirigir a mais burlesca das companhias. Mack
Sennett foi um dos defensores do estilo "Comédia de
Arte". Para ele, fazer um filme consistia em postar a sua
câmera em frente de um grupo de bons atores de farsa, atores
esses que iam improvisando seus papéis. Mack Sennett "inventou"
Buster Keaton, Harold Lloyd, W. C. Fields e mesmo Bing Crosby.IO19
Bing Crosby em still do filme "The bells of St. Mary's".
Nos últimos filmes de Mack Sennett, havia pancadarias,
perseguições, sovas nos polícias, faziam-se
100 quilômetros, graças ao acelerado, com ridículos
carros concebidos para 40.Era cômico; tal como o catch,
cômico tal qual como as histórias em imagens do Épatant,
uma revista ilustrada que fazia as delícias da juventude
francesa dessa época. O mais popular de todos os atores
da Keystone usava bigode. Todos nós conhecemos bem tanto
o seu nome como a sua figura: Carlitos.
CARLITOS!
Nascido em Londres, em 1889, filho de comediantes pobres, ele
próprio comediante e pobre, Charlie Chaplin estreou, em
1914, na interpretação de um papel secundário
em Making a Living, filme dirigido por Henry Lerhman e produzido
por Mack Sennett. Seguiram-se pequenos esquetes, aliás
bastante medíocres, com Fatty: Carlitos e Fatty boxeadores,
Carlitos e Fatty fazem a bomba ...Em 1915, Charlie Chaplin troca
a Keystone por uma companhia rival: a Essanay. Começa então
a escrever os seus argumentos e a encenar os seus filmes, 12 no
ano de 1915: Carlitos Marinheiro, Carlitos Vagabundo ... Os "Carlitos"
da Essanay são já um pouco mais humanos, um pouco
menos caricaturais que os da Keystone. Teremos porém de
esperar até 1918 para descobrir o verdadeiro Charlie Chaplin,
em Uma Vida de Cão e Carlitos nas Trincheiras.Na Exposição
Universal de Bruxelas, em 1958, os mais célebres historiadores
do cinema foram convidados a elaborar a lista dos 30 melhores
filmes do cinema mundial. De todos os encenadores, o mais freqüentemente
citado foi Charles Chaplin, com 250 votos, enquanto que Orson
Welles obteve apenas 56 e Méliès, 28.
Carlitos, o palhaço, sabia provocar o riso melhor que qualquer
outro. O realizador Charlie Chaplin soube emocionar as multidões.
Charlie Chaplin é, de certa maneira, o Molière do
cinema; Carlitos, com o chapéu-coco, as botas grandes demais
e a bengala de dandy, é o Pierrot do século do Cinema.
É justo recordar que Carlitos teve um mestre, Max Linder.
Era um cômico, também, mas só um cômico.
Fazia rir, como se faz rir no teatro ou no music-hall.
E os outros países?
As melhores produções francesas dessa época
far-nos-iam hoje sorrir pela sua ingenuidade. No entanto, atraíam
muitos espectadores, que aplaudiam os filmes de Alice Guy (Mésaventures
d'une Tête de Veau, La Fée aux Choux); de Zecca,
que realizou uma meia-dúzia de filmes em 1901; e de Feuillade,
que anunciou Alfred Hitchcock e os seus filmes de "emoção",
realizando, entre 1913 e 1916, maravilhosos filmes em episódios
(Fantomas, Vampiro, Judex...). Inútil será dizer-se
que os americanos se tornaram, também, grandes consumidores
de histórias "segue na próxima sessão":
Les Périls de Pauline, Os Mistérios de New York,
La Masque aux Dents Blanches ... filmes realizados entre 1913
e 1917.
De vez em quando a Alemanha, a Inglaterra, a Itália, a
Dinamarca, a Suécia, a Rússia, produziam a sua enfiada
de filmes históricos e de romances de amor a tostão.
Em 1914, por exemplo, a Itália produziu 417 filmes, a Dinamarca
139 e a Rússia 231. É evidente que esses filmes
não tinham a metragem dos nossos filmes atuais. Alguns
foram muito falados, como o monstruoso filme italiano Cabíria,
em 1914, espécie de ópera muda e gigantesca, na
qual já se vislumbrava, tanto pelos meios postos em ação
como pela grandiosidade, tudo o que Hollywood viria a produzir
de mais delirante.
É necessário destacar o grande mérito que
cabe a l'inventeur Abel Gance, cujo sensacional épico "Napoleón"
foi sonorizado, reeditado e apresentado em sistema polivision
(em três telas), com enorme sucesso, no Festival Massenssio
de Roma em 1981, pelo "maestro" Coppola. Na ocasião,
o grand finale teve as telas coloridas nas cores da bandeira francesa.
Quando, em 1927, o cinema mudo morreu nas mãos do sonoro,
já se podia evocar a arte cinematográfica. Dos milhões
de metros de películas gravada, emergiam algumas obras-primas,
que provam que, mesmo silencioso, o cinema é, por excelência,
a arte das multidões, a arte da verdade. Mas, por uma obra-prima,
quantas insignificâncias, quantas historietas só
boas para, durante hora e meia, manter acordados os espectadores
das salas escuras!
Palavras e cores. Temos que voltar ao ilustre Edison.Edison construíra,
como dissemos, um aparelho a que dera o nome de "kinetoscópio".
Em 1877 registrara a patente de um aparelho que permitia a reprodução
dos sons: o fonógrafo. Em 1889, o homem das 2500 patentes
começou a tentar sincronizar imagens e sons.Sincronizar!
Uma palavra bárbara que significa, em um filme, "fazer
concordar imagens e sons". Sendo o desenrolar dos filmes
do kinetoscópio e o movimento do fonógrafo independentes
um do outro, as tentativas de Edison para obter um sincronismo,
mesmo rudimentar, não chegaram a nada. Mas a idéia
andava no ar, e quando uma idéia anda no ar...Inventores,
pequenos e grandes, deitaram mãos à obra. Auguste
Baran registrou, em 1898, a patente francesa no 276.628 para um
sistema "que permite registrar e reproduzir simultaneamente
as cenas animadas e os sons que a acompanham"; León
Gaumont, um desses nomes que, assim como Pathé, está
ligado a todas as fases do cinema, apresentou um "retrato
que fala" na Exposição de 1900. Era novo, era
engraçado, mas não era concludente. De fato, durante
muito tempo, contentaram-se em combinar o emprego do disco e do
filme: um ator falava diante do fonógrafo. As suas palavras
ficavam registradas no disco; depois o disco passava e filmava-se
o ator que mexia os lábios, tentando reproduzir exatamente
os mesmos movimentos. Processo em geral defeituoso, muito conhecido
dos telespectadores e de quem assiste a sessões de filmes
dublados. Um ator abre a boca: nada! Uma palavra brota: tarde
demais, a boca já está fechada! Mesmo que a expressão
do ator seja trágica ao máximo, mesmo que a palavra
que ele deveria pronunciar seja comovente, é mais forte
do que nós: temos que rir.
Para chegar a um resultado convincente, foi necessário
esperar pelo aperfeiçoamento do filme sonoro, quer dizer,
a invenção de um processo que permitisse reproduzir
a imagem e o som na mesma película, invenção
que se tornou possível graças às pesquisas
dos americanos Eugene Augustin Lauste, um colaborador de Edison,
Lee de Forest, inventor da lâmpada de luz "photion",
e do físico francês Blondel, inventor do oscilógrafo
bifilar... Eram técnicos, investigadores, e os seus nomes
são pouco conhecidos, ao passo que o dos irmãos
Warner se tornou célebre.Os irmãos Warner tinham
presidido aos destinos de vários Nickel Odeons. Em 1926,
porque os negócios da Warner Brothers iam mal, decidiram-se,
sem grande entusiasmo aliás, a uma experiência de
cinema sonoro e falado. Primeira tentativa: D. Juan, com o grande
ator John Barrymore, apresentado em Nova Iorque no dia 7 de agosto
de 1926. Segunda tentativa: O Cantor de Jazz, tendo como intérprete
principal um astro do music-hall, Al Jolson. Era um filme (ou
fonofilme, como se dizia nesse tempo) medíocre. Foi um
êxito enorme. Custasse o que custasse, os produtores dos
quatro cantos do mundo quiseram produzir sonoro. Era preciso que
a cada galope correspondesse um alegre pocotó-pocotó
e a cada murro, um pow.IO 9 Al Jolson em "The singing kid".
Falemos agora um pouco mais de técnica. Falemos de cores.
Ainda o cinema ia nos seus primeiros passos, já se apresentavam
ao público as cores. Na verdade, tratavam-se de filmes
coloridos à mão. Munidas de pincéis microscópicos,
de boa vista e de angélica paciência, as operárias
coloriam, uma a uma, com anilina, as 5000 ou 10000 imagens de
um filme de 3 ou 10 minutos. Só por volta de 1908, a firma
Pathé instituiu o processo de colorir com moldes especiais.
Era mais racional, mas tão incerto como o outro. As aberrações
cromáticas, a falta de coincidência entre cores e
contornos, que fazem o encanto das antigas imagens de Epinal,
suportam mal a projeção e não era raro vermos
o cor-de-rosa de um rosto sobrevoar o dito rosto, tal qual uma
auréola de santo. Em 1920, porque não conseguiam
acertar o processo, os campeões de colorido com moldes
resolveram renunciar.
Foi preciso esperar mais uma boa quinzena de anos para vermos
finalmente os primeiros filmes em cores. Porque, se os princípios
da reprodução fotográfica, a tricomia - isto
é, o processo que permite obter uma escala muito extensa
de tintas, sobrepondo as três cores fundamentais -, foram
enunciadas por Maxwell, em 1855; se Berthon pôde registrar,
em 1908, o seu processo em cores sobre filme estampado; e se a
fundação da Sociedade Technicolor data de 1915,
só em 1935 é que foi realizado e programado o primeiro
grande filme em cores.No tempo dos moldes, entregavam-se filmes-pilotos
às operárias encarregadas de colorir. Sobre um desses
filmes, a partes para colorir em vermelho estavam recortadas.
Sobre outro, a parte para colorir em azul... Com technicolor,
o princípio é o mesmo. Três filmes são
impressionados ao mesmo tempo. Um que só é sensível
ao azul, o segundo ao vermelho, o terceiro ao verde. O grande
inconveniente do processo technicolor é exigir uma enorme
câmera, no interior da qual se desenrolam os três
rolos de película.
O processo Agfacolor, de origem alemã, utiliza uma só
película, sobre a qual estão sobrepostas emulsões
sensíveis a cada uma das cores fundamentais. Hoje, os processos
se multiplicaram: Gevacolor, Eastmancolor, Ferraniacolor, Warnercolor...
mas todos eles se assentam sobre princípios idênticos.
Os primeiros technicolors eram pintalgados quase tão grosseiramente
como os filmes coloridos a mão antes de 1914. Apesar disso,
fizeram sensação.O cinema falava, o cinema reproduzia
as cores da vida: era pelo menos o que, durante muito tempo, pretendiam
os anúncios e os placards publicitários. Que poderia
desejar-se mais?O cinema teve sempre os seus pesquisadores, os
seus financistas. A estes pesquisadores, ávidos de descobertas,
a estes financistas, ávidos de benefícios, devemos
nós uma quantidade de invenções, algumas
ridículas e destituídas de qualquer futuro, outras
ricas de possibilidades. Cada dia que passa, a técnica
cinematográfica faz progressos e, no entanto, de O Couraçado
Potemkin às mais recentes produções da Nouvelle
Vague, os únicos verdadeiros êxitos do cinema são
devido a artistas, não a técnicos. Para o cineasta,
como para o pintor ou escultor, a magnificência dos meios
postos em prática não poderá nunca ocupar
o lugar do gênio. A prova: Charlie Chaplin nunca rodou em
cores; voluntariamente, ignorou grandes telas e estereofonia.
Quadro a quadro - Imagem por imagem.
Antes de entrarmos no domínio encantado dos desenhos animados,
é conveniente voltarmos atrás ou, para empregarmos
o jargão cinematográfico, fazer um flash-back. De
fato, se o primeiro desses filmes foi projetado em 1895, já
em 1892 Émile Reynaud apresentava, no Museu Grévin,
verdadeiros desenhos animados ao público de Paris.
Enquanto sábios e técnicos se esforçavam
por resolver um sistema que permitisse reconstituir o movimento,
graças a uma sucessão de fotografias, Reynaud desenhava
já, uma a uma, as imagens das suas pantominas luminosas.
Reynaud pensara já, em 1880, realizar filmes compostos
de fotografias, mas nada, para ele, eqüivalia ao desenho.
Foi o primeiro a projetar, sobre uma tela, filmes transparentes
desenhados imagem por imagem, que davam a ilusão do movimento.
Para realizar seus desnhos, Reynaud executava até 700 desenhos.
Eram deliciosas pantominazinhas em duas dimensões.
O êxito do cinematógrafo Lumière prejudicou-as
muito; um comboio, um verdadeiro comboio a rodar na tela, era
muitíssimo mais surpreendente que essas imagens que, excluindo
o movimento, pareciam estranhamente com os cromos selecionados
pelos consumidores da fosfatina ou do chocolate! Reynaud foi o
profeta do desenho animado.Em 1906, em New York, um operador lembrou-se
de animar os objetos, filmando-os imagem por imagem. Era infantil:
bastava colocar um objeto num lugar preciso, fazer uma imagem,
uma só imagem, deslocar ligeiramente o objeto, fazer outra
imagem, deslocar o objeto uma terceira, quarta vez...A cada deslocamento
do objeto correspondia uma fotografia. Sobre o tela, como as fotos
se sucediam sem interrupção, o objeto dava a ilusão
de se mexer sozinho. Resultado desse paciente trabalho: um filme
de 143 metros, no decorrer do qual se via uma casa transformar-se
em órgão, uma faca, sozinha, cortar o pão
em fatias, o chá a derramar-se nas xícaras. Hoje,
estamos acostumados a ver isqueiros e canetas executar espantosos
bailados durante os intervalos, mas, em 1906, ver uma faca movimentar-se
sozinha numa tela era, na verdade, muito surpreendente. Os técnicos
foram os primeiros a gritar que se tratava de milagre, e muitos
entre eles decidiram desvendar, a todo custo, o segredo do "movimento
americano". Este segredo, foi um francês quem primeiro
o descobriu, o caricaturista Émile Cohl.Aliás, durante
muito tempo, filmes desenhados (nos Estados Unidos: comics) e
desenhos animados ligaram-se muito bem. Os espectadores americanos
andavam encantados por encontrar nas telas as personagens que
alegravam todas as semanas os suplementos ilustrados dos seus
jornais. Quem não se lembra de Mutt & Jeff, de Bur
Fisher? Apareceu depois Popeye, um marinheiro nascido do lápis
de Segar para anunciar uma marca de espinafre em lata, e que fez
carreira através dos oceanos na companhia de Olívia,
a Olívia Palito, sua esquelética noiva, e do irascível
Brutus, seu eterno rival.
A época de Félix, principalmente! Félix,
o gato de Pat Sullivan, o mais famoso astro do desenho animado.
Astro mundial, Félix teve a honra imensa de interpretar
o primeiro desenho animado sonoro. Mas ia nascer um rato que destronaria
este gato, um rato que por pouco não era um coelho. De
fato, foi só depois de se ter exercitado a animar um gentil
coelhinho, chamado Oswaldo, que Walt Disney criou o seu Mickey.
Mudos ou falantes, em branco e preto ou cores, o rato Mickey,
o pato Donald, o cão Pluto e todos os hóspedes da
Arca de Noé de Walt Disney fazem os encantos dos amantes
de desenhos animados.IO13 Still do filme de desenho animado Disney
"Fantasy"Mas vamos visitar o desenho "quadro a
quadro" anterior ao cinema. Os desenhos animados conheceram
uma época de encanto sem palavras, muito antes de Hollywood,
quando "imagem a imagem" era sinônimo de humor,
poesia, magia.No tempo da Lanterna Mágica...Lanterna Mágica.
Estes engenhosos instrumentos da ilusão pertencem agora
à arqueologia do cinema. A origem da lanterna mágica
é provavelmente muito antiga, mas foi apenas no século
17 que o padre jesuíta alemão Athanasius Kircher
a descreveu de forma precisa. Professor de Filosofia e Matemática,
unia sagacidade e aguçado gênio inventivo a um grande
saber. Entre 1634 e 1673, publicou diversos trabalhos relativos
ao ímã, à luz e à acústica.
No século 18, o abade Jean-Antonie Nollet, físico
francês, que se dedicou aos problemas de física e
ao estudo dos fenômenos eletroacústicos, foi o primeiro
a inventariar a lanterna mágica do padre Kircher.O princípio
desta lanterna consiste em fazer aparecer, em tamanho ampliado,
sobre uma parede branca ou tela estendida num lugar escuro, figuras
pintadas em tamanho pequeno, em pedaços de vidro fino,
com cores bem transparentes.
No relato de uma viagem que fizera à Holanda em 1736, o
abade Nollet conta que um certo Muschenbrosk lhe mostrara projeções
animadas, entre as quais moinho de vento cujas pás rodavam,
uma mulher fazendo reverências ao passar, uma máquina
articulada, um cavaleiro tirando o chapéu.
Em 1743, ele fala de um novo instrumento de ótica, conhecido
sobre o nome de microscópio solar, feito em Londres, pouco
tempo antes, por um certo Lieberkuyn, da Academia Real de Ciências
de Berlim. Este microscópio não era mais do que
uma lanterna mágica cujos raios solares produziam a fonte
de luz. O instrumento ampliava consideravelmente objetos ou insetos,
grãos de poeira ou outros corpúsculos transparentes
em uma tela, em vez de decorações pintadas num chassis
de vidro.Trata-se aí de uma adaptação científica
do princípio da lanterna de Kircher, que tem uma origem
ainda mais longínqua.
O "Journal d'un bourgeois de Paris sous François 1er.
" nos fala, já em l5l5, de um espetáculo de
projeção; enquanto que no século 13, o monge
britânico Roger Bacon, apelidado de "o doutor admirável"
( ele foi um dos maiores sábios da Idade Média),
descreveu o princípio elementar da lanterna mágica.
De onde ele obtivera estas informações?
Segundo o autor Frédéric Dillaye, Apollonius de
Tyane teria usado a lanterna mágica nas atuações
de taumaturgo que ele organizava no primeiro século de
nossa era. No decorrer dos séculos, a lanterna mágica,
que conheceu outros sucessos, foi para certos reis, principalmente
para Luís XIV, o instrumento de um espetáculo de
bom gosto. No dia seguinte da Revolução, projeções
luminosas, caídas alguns anos no esquecimento, suscitaram
nova admiração, quando em 1799 o sábio físico
e aeronauta Robertson, renovou os surpreendentes efeitos com um
aparelho denominado "fantasmacópio" tirando patente
deste. O fantasmacópio nada mais era do que uma lanterna
mágica montada sobre quatro rodas, permitindo afastar ou
aproximar da tela, a fim de ampliar ou diminuir, à vontade,
as figuras projetadas.
Este aparelho trazia o movimento em profundidade que ninguém
havia imaginado.Pensava-se até então que a arte
das projeções se limitava a passar as imagens num
movimento lateral, uma vez regulada a distância do objetivo
com relação à tela de fundo. Com um "fantasmacópio",
Robertson surpreendia os espectadores fazendo surgir sobre eles,
personagens medonhos inspirando-lhes terror. Graças ao
seu engenhoso sistema, Robertson realizou espetáculos aos
quais deu o nome de "fantasmagoria". Estes espetáculos,
que fizeram correr Paris inteira, aconteciam na capela do antigo
convento dos Capuchinhos da praça Vendôme, onde o
espectador só conseguia chegar após ter percorrido
um longo trajeto nos corredores do velho mosteiro, decorados com
pinturas estranhas e cobertos de tumbas e de lápides funerárias.
Como feiticeiro, dotado de um certo talento de cineasta, Robertson
fazia aparecer à vontade do espectro de Marat, os mais
famosos decapitados da Revolução Francesa e monstros
terrificantes. Ele lotou a sala durante vários anos sem
nunca revelar os segredos de sua técnica. O "fantasmacópio"
não era visível à nenhum espectador: situava-se
atrás de uma tela oleosa ou dissimulado em um canto da
sala, para projetar seus fantasmas sobre nuvens de vapor provenientes
de um caldeirão. De cada lado do "fantasmacópio",
evoluíam os projecionistas, uma lanterna fixada no ventre
para animar as superfícies da tela mais ou menos reduzidas,
por projeções de pássaros estranho, morcegos
e esqueletos inquietantes.
Até 1830, este físico ilusionista encheu de prazer
os amadores de emoções fortes, porém seu
sucesso deu a outros a idéia de criar espetáculos.
Foi assim que nasceu a corporação dos "mostradores
de lanternas mágicas" ambulantes, pitorescos artesãos
de rua que se deslocavam com um tocador de órgão
de barbarie para acompanhar o grito de um lamento em moda: "lanterna
mági-i-i-i-ca, curiosa peça que deve ser assistida".
Bastava interpelar este homens para beneficiar-se de uma projeção
à domicílio em troca de algumas moedas.Em 1840,
um certo Auguste Lapierre, funileiro em Paris, teve a idéia
de fabricar uma lanterna mágica com formas bastante simples,
provavelmente para oferecer sessões às suas crianças.
Era uma lanterna de ferro estanhado, chamada "lanterna quadrada"
que foi comercializada (com algumas melhorias) de 1843 até
o fim do século passado. Logo no início, as vendas
foram boas. Mas após a guerra de 1870, a concorrência
se fez sentir, quando Carette (fabricante francês de brinquedos,
instalado na Alemanha) viera "espionar" o que ele fazia
em seus ateliers. IP1 Lanterna Mágica Ernst Plank c.1890Em
l875, Auguste Lapierre teve muito sofrimento com a concorrência
alemã, e cansado de lutar, passou a vez a seu filho Edouard,
que, fornecendo a lojas e bazares de brinquedos (jamais exportou)
criou então, em 1891, um modelo para os adultos, "a
lanterna de projeção", que permitia utilizar
vistas fotográficas formato 8,5 X 10 cm.
Desde 1901, René e Maurice, filhos de Edouard, dirigiram
o negócio, situado então em Seine-et-Marne, no intuito
de produzir não mais placas de vidro sobre as quais colavam
decalques, assim como faziam os concorrentes alemães Plank,
Bing e Carette. Entretanto, necessitavam de outras idéias
para manter a posição no mercado, como por exemplo
o "lucifone" que lançaram em 1903. Este aparelho,
que unia o divertimento visual ao prazer auditivo, compunha-se
de uma lanterna mágica e de um fonógrafo de cilindro.
Ele permitia fazer projeções sonoras pontuadas de
cantos e risos. O "lucifone" todo equipado, com as imagens
em vidro, com pintura fina, comportando duas estórias,
valia 39 F. Obteve, infelizmente, apenas dois anos de sucesso.
No início do nosso século, haviam poucos fabricantes
franceses de lanternas mágicas, com exceção
dos irmãos Demarie, com os quais os irmãos Lapierre
formaram em 1908 (por 99 anos) uma sociedade anônima. Nesta
época, já fabricavam projetores 35 mm que permitiam
passar desenhos animados coloridos, impressos diretamente em películas
(litografia).
Tinham também cinematógrafos capazes de projetar
cenas mais longas, porém o elevado preço dos filmes
os impedia de comprá-los a menos que fossem usados, após
terem passado em salas de cinema.Em 1920, parte do negócio
Lapierre foi vendida à Sociedade Ótica e Mecânica
do grupo Schneider (Maurice Lapierre e o Sr Demaria continuaram),
para fundar, seis meses mais tarde, a sociedade chamada "Lanternas
mágicas e cinema de amador". Em 1961, René
Lapierre, então com 82 anos, ainda explorava a sociedade.
IP93 Placa de vidro pintada a mão para lanterna mágica,
com movimentoVários assuntos montados em chassis de madeira
eram móveis, o contrário das placas em geral.
As placas se classificavam segundo gêneros e combinações
bem determinadas. Havia o gênero cromátrope, ou rosácea
geométrica, que ao rodar com uma manivela permitia passar
um personagem ou um veículo face a uma decoração
fixa; o tipo de mudança em que um personagem podia ser
animado em dois movimentos. Estas vistas, pintadas à mão
com extrema fineza, eram feitas com pincel, com cores transparentes
dissolvidas em gasolina ou verniz. Os azuis da Prussia, de Anvers
ou de Berlim eram utilizados principalmente para produzir notáveis
efeitos noturnos. Os carmins de cochonilha e garança de
calças de soldados da época, produziam um belo efeito
sobre as decorações azuladas.. Bibliografia: "Magia
Luminosa", de J. Remise, P. Remise e R. Van de Walle.
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